Não entendo muito do mundo vegetal, mas fiquei fascinado com o que Christine Carter escreveu sobre as oliveiras. Diz ela que oliveiras são plantas com alternância de produção, o que significa que produzem muitos frutos em um ano e praticamente só galhos no ano seguinte, criando o que é chamado de “colheita curta”. Elas produzem menos frutos em um ano de forma a produzir uma colheita grande no ano seguinte (O ponto de equilíbrio: Como obter o máximo de resultados com o mínimo de esforço. 2016). As oliveiras nos ensinam algumas boas lições sobre a vida. A primeira é que todos passamos por fases diferentes na vida. Em algumas produzimos muito, em outras nem tanto. Não somos máquinas, somos seres humanos, e como tal vivemos diferentes fases na vida, dependendo de nossa saúde física, estresse, idade e por aí vai. Nosso corpo tem um ritmo que não é absolutamente linear. Estamos mais para uma montanha-russa – cheia de altos e baixos – do que para um trenzinho infantil, cujos trilhos seguem um trajeto circular e sem qualquer subida ou descida. O ritmo do nosso corpo se altera quando precisa se refazer de uma grande adversidade, por exemplo. Ou quando está sob pressão. Respeitar sua fase é uma necessidade.

As oliveiras também nos ensinam que ninguém é a mesma pessoa o tempo todo ou para sempre. O corpo, o peso, as ideias, a quantidade de informações recebidas, tudo altera diretamente cada um de nós; não somos hoje quem éramos ontem e por certo não seremos os mesmos amanhã. Isso sem falar nas experiências da vida que também produzem mudanças em nós. Há um dinamismo próprio na vida e, como oliveiras, se hoje produzimos muito não é certo que amanhã produziremos tanto quanto.

Em algumas épocas da vida não temos nenhuma produção. Estamos como oliveiras que só têm galhos a mostrar. Mas isso não significa que terminaremos a vida dessa forma. Precisamos nos encher de esperança e nos tempos de pouca produtividade aprender a nos fortalecer e nos preparar para as épocas de grande produtividade que virão em breve. Fases diferentes. Pessoas diferentes. Etapas diferentes da vida. Assim são as oliveiras. Assim somos nós.