Essa é uma das frases que define a grande maioria das pessoas neste tempo. Alguém pergunta como estamos e logo respondemos que estamos “ocupados demais”. E não é mentira, vivemos ocupados mesmo. Mas, além da ocupação em si, existe uma espécie de “orgulho” de estar ocupado. Wayne Muller, em um excelente estudo sobre repouso, escreveu que “descrevemos nossa ocupação como um troféu” e que, quanto mais ocupados estamos, mais nos sentimos importantes (“Sabbath: Finding Rest, Renewal, and Delight in Our Busy Lives”. 2000). Concordo plenamente. Dizer que estamos ocupados nos dá uma sensação de que as pessoas olharão para nós com mais respeito e admiração. Talvez seja por esse pensamento que os pais se sentem orgulhosos ao dizerem que seus filhos pequenos já têm uma rotina de adultos, acordando de madrugada e indo dormir tarde para cumprir a agenda de escola, cursos, esporte, atividades culturais e por aí vai.

 

A grande questão que se levanta diante desse pensamento de valorização da ocupação é que, se nos sentimos importantes por estarmos ocupados, também começamos a nos sentir pouco importantes se não estamos ocupados. E em uma sociedade onde as pessoas disputam importância, sentir-se “livre” pode significar “não tão importante”. Então começamos a buscar ocupação, a marcar mais reuniões, a ocupar a agenda com mais e mais coisas, correndo o risco de desenvolvermos transtornos de ansiedade. Vale aqui uma boa contribuição de Wayne Muller (op. cit.) quando nos lembra de que o símbolo chinês para “ocupado” é composto por dois caracteres: coração e morte. Ocupação demasiada é um perigo, pode devastar não apenas o seu corpo, mas também o seu interior.

Estar ocupado não é sinônimo de ser importante. Estar demasiadamente ocupado não é sinônimo de ser muito importante. Valemos pelo que somos e não pelo que fazemos. Teremos ocupações e elas são sinal de que nossa vida está ativa, o que é excelente. Mas que tenhamos equilíbrio em nossas ocupações, desconstruindo essa ideia de que ocupação é sinônimo de uma vida mais importante. Às vezes a ocupação será apenas sinônimo de que temos muitas coisas a fazer, nada mais do que isso.